Síndrome dos ovários policísticos afeta de 5 a 20% das mulheres em idade reprodutiva

26 de janeiro de 2018

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é o distúrbio hormonal mais comum entre as mulheres, afetando 5 a 20% das mulheres em idade reprodutiva, sendo a principal causa de infertilidade por disfunção ovariana. “As mulheres com SOP, independente da idade e peso, tem 2,5 vezes mais chances de apresentar alterações metabólicas”, comenta Natália Paes Barbosa, ginecologista da Genesis Brasília.

O diagnóstico é feito, na maioria das vezes, pelo médico ginecologista e baseia-se na presença de pelo menos dois dos critérios a seguir:

● Distúrbio menstrual;
● Aumento de hormônios masculinos (androgênios), que pode ser evidenciado com exames de sangue ou com sintomas clínicos; ;
● Aspecto policístico dos ovários na ultrassonografia.

SINTOMAS - Os sintomas da SOP são variados, mas deve-se suspeitar da doença diante de mulheres com irregularidade menstrual e em obesas. Os principais sintomas são ciclos menstruais longos ou ausência de menstruação, sobrepeso, aumento de pelos, acne e queda de cabelos.

“Pelo menos 50% das mulheres com SOP têm sobrepeso/obesidade. A obesidade está associada à função anormal do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO) que contribui para o desenvolvimento da síndrome”, explica a especialista.

Este excesso de peso está associado com a resistência à insulina e ao aumento compensatório dos níveis de insulina. O aumento de insulina favorece a secreção desordenada de hormônios e, consequente, a produção aumentada de androgênios (hormônios masculinos). Fatores de crescimento e fatores inflamatórios são mais recorrentes na obesidade, e também podem estimular a produção de androgênios.

O tratamento inicial para mulheres diagnosticadas com a SOP está relacionado a mudanças no estilo de vida: é indicada a perda de peso por meio de dieta e atividade física. “A redução do peso em cerca de 5% pode restaurar a menstruação e melhorar a função ovariana. O anticoncepcional pode ser usado pelas mulheres com SOP que não desejam engravidar para regular o ciclo menstrual e reduzir as manifestações das alterações hormonais. As drogas antidiabéticas diminuem a incidência da síndrome metabólica e podem ser prescritas para as pacientes com intolerância à glicose associada”, afirma Natália Paes Barbosa.


INFERTILIDADE - A SOP é a causa mais comum de infertilidade por anovulação, ou seja, por falha nos ovários. As baixas taxas de gravidez estão associadas ao excesso de androgênios, obesidade e resistência à insulina.

Pacientes diagnosticadas com a síndrome dos ovários policísticos podem engravidar espontaneamente. Nas mulheres que desejam engravidar e tem menos de 35 anos, pode-se liberar para tentativa de concepção espontânea por 6 meses, sem investigação adicional. Após 35 anos ou depois de 6 meses de tentativa, recomenda-se investigação mínima para determinar o tratamento mais adequado. Técnicas de reprodução assistida devem ser cuidadosamente aplicadas, já que essas pacientes apresentam maior risco de hiperestímulo ovariano, quando há uma produção aumentada de óvulos, levando à desidratação e ao acúmulo de líquido no abdome. .

RISCOS – De acordo com a especialista, “mulheres diagnosticadas com a SOP tem mais chance de terem também a síndrome metabólica, caracterizada por um conjunto de fatores que aumentam o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares como pressão alta, aumento do colesterol, infarto, acidente vascular cerebral (derrame) e trombose”.

As mulheres com SOP também tem risco aumentado para o desenvolvimento de câncer do endométrio, já que longos períodos sem a menstruação podem levar à proliferação celular alterada. Nas mulheres grávidas, a doença aumenta as chances de aborto, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

“É muito importante que as mulheres marquem consultas com o ginecologista regularmente e estejam atentas a qualquer disfunção em seu corpo, tendo em vista que a SOP também tem impacto psicológico e pode desencadear depressão e ansiedade”, finaliza Natália Paes Barbosa.

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